quinta-feira, 15 de julho de 2010
Casamento homossexual: Argentina decide legalizar
sábado, 10 de julho de 2010
O mito de Homero e o nascimento da filosofia
O poeta Homero, em A Odisséia, narra a jornada do herói Odisseu em sua provações para o retorno de sua pátria, Ítaca, depois da guerra contra os troianos. Odisseu, homem inteligente, arguto, forte e de perene coragem é posto em situações intensas a qual sua coragem se impõe nessas provações.
A relação dos deuses com o herói é caracterizada por um fato peculiar: a maneira que esses deuses se mostram e se aproximam dos mortais acontece não de forma sobrenatual, mas, ao contrário, de forma bastante natural, através da propria natureza, demostrando a essência natural dos imortais.
A linguagem rica semanticamente, simbólica, metafórica nos coloca numa atmosfera sublime ao longo da narrativa da jornada do intrépido Odisseu. Curioso e intererrante é a maneira que se mostra aspectos culturais na obra, que, só lembrando, tem cerca de dois milenios e meio.
Porém é muito dificil para o homem contemporâneo alcançar a compreensão em plenitude de Odisséia; a compreensão simbólica, da representatividade que foi a obra e para o posterior surgimento da filosofia; damos importância aos aspectos literário e histórico. Além do mais, a compreensão da palavra "mito" conota algo fantasioso, irreal, lendoso.
A palavra mito vem do grego mythos, que significa contar, narrar, descrever. É preciso entender a obra do poeta Homero no significado grego da palavra, se não correremos risco de não entender a obra por outras dimensões.
Essa difícil compreensão torna-se evidente nos pré-socráticos, ou pensadores originários. O surgimento da filosofia, na região da Jônia, na cidade de Mileto, nos coloca numa dimensão bastante diferente da nossa
realidade, nos deixando, as vezes, confusos na sua interpretação.
Tales, o primeiro filosofo, é também o primeiro a falar da physis, a questionar o principio primeiro que permeia as coisas, o todo. Sua doutrina baseada em que "tudo é água", tudo se origina através da umidade da água, a vida se inicia com a água.
A physis dos originários é o surgimento , a existência, o acontecer, o existir, a totalidade de tudo, a plenitude da existencia, a flôr, a árvore, a água, o pensamento, a idéia, o surgimento, o ar, tudo é physis; o desabrochar do existente e seus desdobramentos.
Já arqué é o princípio que tudo se origina, e tudo que aurge, que nasce, o não estático, o dinâmico, a lei que rege e governa, a base e sustentação para o brotar, o nascer, o surgir. O princípio, a dinamicidade que nasce, lei perene que governa.
Anaximandro vai pensar a arqué da physis como justiça (diké) do cosmo. Anaximenes vai pensar a arqué no ar, em sua rarefação/condensação, no pneuma; "tudo é ar".
Já para Platão é Aristóteles a arqué passa a ser o thaumas; o thaumas é a arqué da filosofia. O thaumas é o espanto, a admiração, a partir do momento que se espanta e se admira com algo, esse espantar-se, admirar-se o conduziria ao exercício da filosofia, a procurar de explicações racionais, explicações cujo o mito não preenche mais as lacunas do questionament, da dúvida, daí as discrepâncias dos conhecimento mítico do conhecimento filosófico; mito não é racional, não é confiável. Mas não podemos esquecer da suma importância do pensamento mítico para o homem grego e para a originação da propria filosofia e as consequencias para toda cultura ocidental.
sábado, 26 de junho de 2010
Somos nós mesmos
Como vou provar a mim mesmo, não há vestígios posteriores que em algum momento beirei o espetáculo da loucura; eu delirei de prazer; eu amei. Os líquidos me escorria, eu lambia; líquidos quantes; líquidos de sal, de som; líquidos seus. Seus. Era eu, era nós, era nós mesmos, era apenas nós, nós, eu, eu, eu, eu; era apenas nós mesmos. Nossa vida, nosso sonho. Era nós. Você era eu, eu era você. Você me representava; você deitava, você amava. Você sou eu. Nós somos nós mesmos. Você é eu. Eu sou você Nós somos nós mesmos. Somos homens.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Manual bla-bla-blá: PubliFolha lança cartilha autoajuda para leigos em jornalismo
O mercado editorial brasileiro passa por uma crise, aliás, duas. A primeira diz respeito à acessibilidade de seus produtos. É inadmissível que os preços dos livros sejam tão elevados. A sociedade brasileira tem uma grande deficiência educacional o que, de fato, ocasiona o baixo índice de leitura. Mas, todavia, esse não e o único motivo. Naturalmente que a questão educacional está ligada diretamente a questão econômica, mas existe uma parte dessa grande maioria, afetada pela deficiência educacional, que tem o hábito da leitura, ou pelo menos uma predisposição, porém quando se defrontam com situação financeira, há uma barreira fria que coloca um limiar entre o que se pode ou não ter acesso.
Pessoas como eu, que tem um regular hábito de leitura, porém devido a questões econômicas, tem um limitado acesso aos livros. Sim, eu estou numa das faculdades mais caras de Salvador, mas eu não sou rico, tampouco membro da classe média, que pelos preços dos livros, parece serem a únicas que podem ter acesso a eles. No Brasil o papel está isento de impostos e produtos culturais têm alguns benéficos fiscais, então por que os livros são tão caros? Será que é para impedir que tenhamos acesso a informação e ao conhecimento? É uma situação tão desconfortante a hora de comprar livros. Tenho que olhar os mais fininhos, os preços são mais acessíveis. Aqueles relativamente grossos eu me abstenho, pois esses sempre passam dos quarenta reais, incompatível com minha situação financeira. Os livros de bolso são um saída, porém são geralmente escritos clássicos de literatura e filosofia, desta forma fica-se limitado a produção intelectual passada, o que é muito importante. Mas é preciso ter acesso as questões contemporâneas, para se ter uma formação mais ampla e distinta, mas como? Os livros das ciências humanas e sociais são um absurdo de caros. Achar um nas casas dos trinta é uma grande promoção
As livrarias também confinadas em chopeim center, revelam sua elitização mais escancarada. Outra questão, também, é o mercado editorial possuído pela indústria cultural. Esses livrinhos de vampirinhos fazendo da literatura sensações do momento evitam outras publicações, talvez até mais interessantes. Isso desencadeia, o que chamo de monotonia editorial, que consiste em publicações de um mesmo seguimento ou gênero, geralmente cópias de beste seler. Assim criam-se febres de literatura do oriente médio, ora de vampiros e, sempre, com os de autoajuda, que são o grande grosso de vendas, pois o país tem muita gente frustrada e fracassada.
No campo mais fechado, área de comunicação/jornalismo as editoras insistem em editar manuais de mesma coisa sobre um campo do jornalismo (rádio, TV, impresso). Desta forma, a cada semestre aparecem nas prateleiras esses novos e velhos manuais de um grande profissional da área, dando as mesmas dicas e truques da técnica jornalística; O que defere esses manuais são apenas a capa, editora e autor, pois o conteúdo é basicamente o mesmo, acrescido me muitos relatos e experiência pessoas, cujos caberiam muitíssimo bem num livro de memórias.
Mais um desses manuais chega às livrarias sem nenhum ineditismo. Trata-se de Jornalismo Diário (PubliFolha), da eminente ex-agrônoma e jornalista do Grupo Folha, Ana Estela de Sousa do Pinto. Na contracapa do livro está: “Jornalismo Diário procura responder aos diversos tipos de questionamento feitos por novos jornalistas”. Novos jornalistas? Será que algum jornalista sai da faculdade sem saber o que é uma pauta e como como fazê-la? Ou que o texto jornalístico deve ser o mais claro e objetivo possível? Qualquer estudante de jornalismo a partir do 6º semestre sabe 90 % do que a autora diz. Talvez a autora quisesse se referir em novos jornalistas aqueles que nunca freqüentaram um curso de comunicação e que agora, com a queda do diploma, resolveram a sorte numa redação qualquer. Ou talvez o livro sirva para aqueles jornalistas ou estudantes de memória muito delével, cujo esquecem muito rápido que devem checar ao máximo qualquer informação, ou que é sempre bom confrontar fontes.
Jornalismo Diário além de não trazer novidade tem um preço bem salgadinho: R$ 49, 90 (Saraiva). O livro não serve para jornalista, pois se pressupõe que saibam de quase tudo que está no livro; tampouco para estudantes, pois esses aprendem com os professores as super dicas de Ana Pinto, iguais tantos autores como Ricardo Noblat e Ricardo Kotcho
Para que esse texto fique mais parecido com uma resenha crítica que um artigo de opinião, terei o enorme trabalho de resenhá-lo de fato, que jornalistas e estudantes de jornalismo podem parar a leitura do parágrafo seguinte, pois não quero que culpem a resenha se o livro resenhado é tudo que já se sabe.
O livro de capa vermelha e quase trezentas e cinquenta páginas e um bom acabamento gráfico possui nove capítulos.
Para Ana Pinto aquele o talento é importantíssimo para que quer praticar a profissão de jornalista, mas isso é em todas as profissões. Todavia talento não basta se o indivíduo não uma carga teórica e prática. A autora traça um perfil de um jornalista que, para ela seria o ideal, possui características quem são: ser culto, inteligente, criativo, curioso, crítico, responsável, persistente, gostar de ler jornais, escrever direito etc. Claro que são coisas meio que óbvias mas valem a dica.
Já no primeiro capítulo Ana Pinto mostra como funciona um grande jornal, sua estrutura, organização e hierarquização e competências. Assim, o pauteiro é “ quem escolhe pela manhã que reportagens serão feitas, organiza o trabalho dos repórteres, encomenda fotos e artes”. O repórter apura o que o pauteiro pediu; o redator faz textos de apoios das reportagens além de poder dá uma corrigida nas reportagens; o chefe de reportagem coordena os repórteres e o editor é quem comanda toda redação, que tamanho uma reportagem terá e qual sua importância no jornal. Até aqui nada que um jornalista ou um estudante não saibam, mas um estudante de jornalismo como eu, se sentiria ofendido se alguém viesse a ensinar ler jornal, ou pelo menos ter o hábito de ler; é que, subentende-se que um estudante leia naturalmente jornais, caso contrário estaria no curso errado. Mas Ana Pinto, no segundo capítulo ensina como babá, aos novos jornalistas a criarem o hábito de lerem jornal. Será que tem algum jornalista, mesmo o mais novos, ou estudantes ainda, que não leiam jornais? Seria como ensinar escritores e leem livros, algo, no mínimo, risível!
Ainda no segundo capítulo têm alguns conselhos para quem entrou ou está prestes a entrar numa redação de um jornal diário. São dicas de como se comportar numa entrevista, o que perguntar, como organizá-la, os equipamento importantes, como fazer para que eles não deem pane e corra tudo certo até a publicação.
“Quem não tem pauta é pautado” é uma máxima que circula nas redações, cujo está no inicio do terceiro capítulo. É que jornalista sem pauta, ou pelo menos sugestão. E para que isso não aconteça à mestra Ana Pinto orienta sobre pautas, desde o que vem a ser uma pauta, até como prepará-las, mostrando onde pode encontrar pautas, e claro, transformar pautas em reportagens. É importante saber o que é noticias, cuja autora explica, muito bem, pois os novos jornalista saíram da faculdade sem saber.
Hierarquizar a informação, prever etapas de apuração e antecipar a edição de todo o material da pauta. É preciso levar em conta que pautas podem surgir do lugar que menos se espera, por isso o instinto de curiosidade, que deve ser intrínseco a todo jornalista/repórter deve ser aguçado.
Uma conversa em casa com a alguém da família, com seu médico, passando pelo cobrador ou pelo vendedor ambulante pode render boas pautas e conseqüentemente boas reportagens; mas antes de sugerir ao editor a pauta é bom responder algumas perguntas : a pauta diz que editoria se destina? Tem um título? Sugere algo inédito? A sugestão tem foco? Respondidas as perguntas à possibilidade de o editor recusar a pauta diminui.
Depois de saber como funciona a redação de um jornal, o que é noticia e como preparar uma pauta, a reportagem, de fato que deve ser feita com todo o suporte técnico do quarto capítulo. Para isso algumas recomendações da autora: “Uma boa reportagem, como uma cadeira, precisa se apoiar em quatro pernas: pesquisa, observação, entrevista, documentação”. seguindo tais orientações é hora de ir à campo. lembrando que uma boa pesquisa é sinal de boa reportagem; a autora faz uma ressalva nessa etapa sobre o uso da internet:” a rede não é imbatível em termos de qualidade de informação
Mas tenha claro que nem sempre é o recurso mais rápido nem sempre se pode confiar no que está lá. A internet é um recurso útil de pesquisa para: achar contato de fontes; achar endereços e mapas; achar personagens; achar especialistas; achar informação oficial [...]”. Desta forma o uso da internet na produção e elaboração da reportagem deve ser usada com parcimônia.
É importante, também, segundo a autora, um exercício de observação, trata-se de um posicionamento crítico sobre tudo e, principalmente, sobre e as fontes para que o repórter não vire um mero reprodutor de discursos.
A entrevista para a reportagem deve também ter uma série de cuidados; por exemplo, é preciso ler sobre o que já saiu sobre o assunto e sobre a fonte; fazer perguntas sempre abertas para que não se obtenha respostas monossilábicas. Até aqui alguma novidade, novos jornalista e estudantes?
Coberturas mais complexas que exige mais do repórter são esplanadas do quinto capítulo. É necessário mais cuidado, por exemplo, em cobrir casos de catástrofes e litígios; no primeiro caso, segundo a autora “ se o assunto nos afeta muito de perto, talvez seja melhor não participar da cobertura ;quanto aos casos judiciais e bom não acusar suspeitos, registrar sempre o outro lado e organiza-se para acompanhar o caso.
A fonte como sabemos é algo precioso na hora da reportagem, por isso importante o repórter cativar suas fontes e é sobre isso que fala o sexto capitulo. Por exemplo, ligar para as fontes pelo menos uma vez por mês, sem compromisso de entrevista-las, pode criar uma relação mais próxima para que essas, quando souber de algo importante, ligue imediatamente.
O sétimo capitulo (o texto jornalístico) trata como é a estrutura do texto, o lide, a importância do bom título, dos períodos curtos, das frase claras e das declarações objetiva e, claro, da concisão. Algum “jornalista novo” não sabe disso?
Os dois últimos capítulos dizem respeito a importância de aproveitar bem faculdade, lendo muito e tentando descobrir o que mais gosta em jornalismo e t já, digamos, se especializando.
Portanto, Jornalismo Diário não traz nada que acrescenta os jornalista, ao novo jornalista ou até mesmo ao estudante, pois trata de coisa obvias da profissão. Certamente o professor que indica ao aluno tal livro comete um equívoco, pois quando, na orelha do livro diz que o livro é para “novos jornalistas” o editor quis dizer aqueles que não têm formação em comunicação e que querem entrar na área sem o diploma, afinal o livro pretende ser uma extensão do treinamento folha de jornalismo, cujo nunca foi exigido o diploma de jornalista para participar. A esses sim, o livro tem muita utilidade.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
As aparências não enganam
O celular desperta às 06h00. Uma hora depois eu já estou no ponto de ônibus. Cheio; gente de cara inchada, ainda de mau-hálito, disputando o minúsuculo espaço das carcaças de aço que servem para transporte público e coletivo. A cidade tem cada vez mais carros na sua pistas estreitas de asfalto negro e áspero. O trânsito fica lento para quem tem tanta presa de viver, cujo perde seu precioso tempo olhando para caras feias e axilas fedidas.quinta-feira, 20 de maio de 2010
O processo anticivizatório
São prédios e mais prédios de geometrias plurais, onde homens se empenham para o quanto antes seus donos poderem adentrar com suas ideologias singulares, em seus veículos com nomes estrangeiros, nos seus condomínios de nomes estrangeiros, para seus mundos de alienígenas estrangeiros, cujo pode ser comprando por fortunas a metros quadrados. Afinal esse mundo construído com cimento e medo, é uma tentativa pífia de reproduzir sociedades longínquas, com outra cultura e outros contextos. Trata-se de uma nova e velha forma de ordenar os espaços urbanos com a propósito de ficar cada um no seu quadrado e cada um no seu mundo, como micro-sociedades distintas.
Pastilhas de vidro, porcelanato importado revestem o cinza frio do cimento na cidade das discrepâncias. Os muros antes invisíveis, porem visíveis, sitiam um novo mundo, porém velho. A esses mundos verticais, que ficam mais próximos do céu que da terra, batizam-nos, por exemplo, de Downtown, Le Parc, Mahatan, Especialle, Greenville; uma tentativa clara de importar para reproduzir uma sociedade estrangeira, talvez uma Miami da vida. Os sobrenomes desses esconderijos dos endinheirados são residence club, club private ou coisa parecida. A intenção também é além de outras, a exclusão lingüística para que o outro, aquele do outro lado do muro, que mal sabe seu português, não decodifique significados, dando a impressão de mais exclusividade.
Essas mansões que se destacam por mil e uma variedades de lazer e gozo pleno, tudo sem sair do lugar, para que se possa ficar o máximo de tempo trancado em sua limitação geográfica e ideológica, numa espécie de unidade carcerária de gente rica, cujo crime deve ter sido a omissão dos problemas sociais típico dessa elite historicamente estúpida. O world private dos barões que desfilam em Hilux, Civic, Tucson e similares, desejam sair menos as ruas, no outro mundo, para não se expor as mazeles urbanas e o caos da grande cidade soteropolitana. Essa gente também não gosta de ver o outro que pode levantar a mão ou para pedir ou para tomar o que eles demasiadamente têm em excesso.
Darcy Ribeiro, em O processo civilizatório, analisou a evolução das sociedade humanas na America Latina. Para o antropólogo brasileiro, um dos aspectos da civilização é a interação social e a troca de signos e valores de forma indistinta. Indo no pensamento de Ribeiro, vejo uma ação contrária, um processo anticivizatório. O individuo se enclausurando num espaço onde ele trabalha, dorme e se diverte sem por o pé na rua, pois o perigo é iminente e sua capacidade de enxergar além disso é inconveniente
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Entre a teoria e a práxis no ensino do jornalismo
O último dia 7 de abril foi o dia do jornalista, portanto, é pertinente falar sobre o ensino do jornalismo, em salvador, em diversos aspectos, mesmo que de forma tardia.
Com a expansão das faculdades privadas, a academia passou a despertar o interesse de profissionais que viam na docência um mercado promissor. Fazer um mestrado tornou-se um passaporte para dar aula nas faculdades, mesmo para os recém-formados e com pouca experiência na pratica jornalística. Desta forma é comum ver professores na casa dos vinte e poucos anos, com muita teoria e pouca experiência a ensinar, mas com seu titulo de mestre. Já tive professores de 24 e 27 anos. Em Portugal o sindicato dos jornalistas já propôs que qualquer jornalista com dez anos de experiência teria acesso direto ao grau acadêmico de mestrado.
Acredito também que um jornalista com dez anos de carreira e sem mestrado tem muito mais a ensinar que aquele com dois de experiência e um titulo de mestre. A conseqüência da falta de longa e ampla experiência dos docentes,( claro que nem todos) deixa o ensino do jornalismo com teoria exacerbada; em sala quase não se nota competências e habilidades individuais, pois os discentes ficam sentados ouvindo os grande detentores da sabedoria, num método ultrapassado e ineficiente, principalmente no curso de jornalismo. Desta forma o excesso de teoria e a pouca prática tende a deixar o jornalismo (e o jornalista mecânico), robotizado e com grande dificuldade na hora de exercer a profissão na pratica real.
Como estudante de jornalismo, passei por três faculdades privadas em Salvador e a realidade não se diferencia muito uma da outra. Acredito que a teoria é importante para entender o fundamento, a técnica e a ética jornalística, mas a práxis deve ser priorizada.
Na França, depois de institucionalizar o ensino do jornalismo, defrontavam-se duas opções pedagógicas: os defensores de uma formação profissionalizante instituindo nas aprendizagens técnicas, e os partidários de uma formação intelectual. Acredito que as duas diretrizes devem ser incorporada uma a outra, mas a formação intelectual deve ser priorizada, privilegiando o empírico, mas sem desprezar o teórico. Acredito que o jornalismo se aprende na pratica , nas redações e nas ruas, onde estão os verdadeiros professores.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Raquel de Queiroz: Expoente da literatura sertaneja e das novas narrativas do Brasil
Mulher e nordestina. Raquel de Queiroz tinha duas características para ficar à margem de qualquer movimento intelectual e pioneiro no Brasil, nas primeiras décadas do século XX, se não fosse um detalhe: foi ela a pioneira. Isso tem um dimensão de maior importância quando esse espaço se dá na literatura, tradicionalmente dominado por escritores, ainda com suas narrativas esuropeizadas, onde as raízes do Brasil nordestino praticamente inexistiam.sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
O luxo e a luxúria de Rita Lee
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A benção de Xangô a um ateu
Luana karinani, uma filha de santo regida por Nanã, a Orixá mais velha da mitologia africana, também conhecida como vovó, foi quem me levou ao Terreiro Manso Neto de Laje Grande, localizado em Lauro de Freitas. Logo perguntei a Karinani o motivo desse nome tão extenso para o terreiro e ela não soube me responder, pois se tratava de fundamento da religião. Fundamento. Essa era sempre a palavra que ouvi muito quando minha instigante curiosidade resolvia indagar sobre os elementos do terreiro. Fundamento, segundo karinani, é a doutrina da religião que é extremamente restrita aos seus membros. Disse-me que nem todos os membros do Candomblé sabem todo o fundamento da religião. “Parece ser algo determinado pelos deuses” disse. Assim, pensei que se tratava mais de uma seita que uma religião.
Logo fui apresentado ao Pai de Santo da casa, o Babalorixá Manuel, homem muito solícito e diligente, mas apenas quando minhas perguntas não eram inconvenientes. Pai Manuel, que é regido por Xangô, me mostrou seu terreiro que não era muito grande. Por toda a parede do ambiente existiam palhas secas de dendê penduradas horizontalmente na parte superior dos muros e paredes. Essa palha é chamada de Mariú que, segundo Pai Manuel, protege a roça dos maus espíritos, dos egús, que são espíritos malevolentes, espíritos de mortos que perturbam os mortais.
No meio do barracão, onde acontecem os rituais litúrgicos, estava pendurado um prato de barro. Pai Manuel me disse que havia naquele prato coco e milho, comida de Oxossi, Orixá que habita as matas e florestas.
Enquanto Pai Manuel estava afastado, pois falava no celular, eu e Karinani andávamos pelo terreiro. Conheço-a de longas datas, pois outrora me levara em outro terreiro para eu fazer um trabalho sobre antropologia simbólica.
Defrontei-me com uma minúscula casa com muitas bonecas plásticas, dessas que crianças brincam quando ainda na ingenuidade passageira que é a infância. Karinani me disse que era a casa da Erea, a Orixá criança. Achei isso interessantíssimo. Logo ao lado da casa de boneca da Erea, uma escultura de ferro estava assentada no chão, cujo tinha chifres e um tridente na mão; era o Exu...Karinani mostrou-me um objeto de ferro parecido com um arco e flecha, era o Ofá, ferramenta de guerra de Logum Edé.
Pai Manuel voltou após longa conversa nesses aparatos tecnológicos portáteis para comunicação, que em certos momentos é melhor esquecê-lo, e me disse que iria se arrumar, pois a festa para Xangô já estava para começar. Uma hora depois os atabaques tocavam. As pessoas chegavam e se achegavam em tamboretes dentro do barracão. De dentro via que quem passava na rua olhava para dentro e se benzia; uma mulher que passava com duas crianças picou uma tapa nas costelas do moleque curioso que se atreveu a olhar para dentro do barracão. (‘ Método pedagógico’ muito eficaz para o intolerantismo.)
Enquanto os atabaques tocavam naquela ambiência de espiritualidade, as mulheres dançavam em movimentos em que levemente desciam e subiam, onde seus membros superiores pouco inclinados iam para frente e para trás e seus braços dobrados faziam o mesmo movimento. Quem tocava os atabaques eram os Ogans. Lúcio, um estudante de História, é um Ogan, ele me contou que os Ogans têm, além de outras, a incumbência de tocar os instrumentos nos rituais, pois não são rodantes, não são incorporados por deuses, assim como as Ekedes, as mulheres não rodantes, que não recebem entidades, mas não podem tocar nenhum instrumento; elas auxiliam na produção da festa, podem também cantar e bater palmas, mas nunca tocar o atabaque, por motivos, claro, de fundamento.
Pai Manuel chegou todo de branco, numa vestimenta que lembrava os reis africanos. Sua mão carregava um grande prato de barro chamado de Agdá, cujo dentro tinha quiabo, dendê e camarão a comida de Xangô, chamada de Amalá. Logo me lembrei de uma música de Mariana Aydar cujo refrão é: “pra Xangô tem, tem Amalá”. O acepipe de Xangô foi colocado pelo Pai Manuel próximo ao portão de entrada do terreiro; optei não perguntar nada a respeito, pois já sabia a resposta monossilábica. Então melhor mesmo foi ouvir os atabaques que soavam naquele ambiente que faziam mulheres dançarem cantando a história mitológica da África e incorporando seus deuses, numa liturgia que envolvia arte e espiritualidade, beleza e mistério. Depois de deliciar-me com as iguarias, quitutes e guloseimas da festa, admirado com a dança, a música transcendental oriunda das riquezas e manifestações da África, fui embora coma benção de Xangô, que usou o corpo de Pai Manuel para me dizer: “cuidado no caminho e nas encruzilhadas”, imediatamente me lembrei de uma música de Vinicius de Morais que dizia” amigo, senhor, sarava! Xangô quem mandou lhe dizer: se é canto de Osanha não vá, pois muito vai se arrepender” . Assim, vos disse que se em meu caminho ele estiver, estarei seguro, e partir. (Espero que ele não saiba que eu sou Ateu!)
Vangurada Paulista: movimento rompe padrão estético de um época
Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé inauguraram o movimento sendo os mais influentes. O disco Claro Crocodilo (1980), de Arrigo Barnabé, é considerado o abre-alas do movimento, mas é seu segundo álbum, Tubarões Voadores, que é eleito pela revista francesa de jazz, jazz hot, um dos melhores discos do mundo. Itamar acompanhou Arrigo na banda Sabor de Veneno, em Londrina, onde já experimentava elementos do rock, samba e o funk, mas logo trilhando caminho independente ao lado da banda Isca de Policia. Músico e poeta, sempre esteve longe dos holofotes, pois recusava editar suas musicas para entrar no que chamava de “sistema”. O movimento posteriormente foi trazendo outros artistas de várias linguagens e estéticas, como a poetisa Alice Ruiz, as cantoras Tetê Espindola e Ná Ozzeti além de Luis Tatit e o grupo Rumo.
A poetisa da vanguarda
Como todo movimento cultural envolve diversas linguagens, a poesia não poderia deixar de integrá-la. Foi assim com Vinicius de Morais na Bossa Nova e Waly Salomão e Capinam na Tropicália. A poetiza Alice Ruiz se representa o a vanguarda paulista trazida pelo parceiro Itamar Assumpção ao qual tem diversas composições. Começou escrevendo contos aos 9 anos e versos aos dezesseis. Compõe letras desde os 26, tem mais de 50 músicas gravadas por parceiros e interpretes e lançou em 2005 seu primeiro disco, Paralelas, em parceria com Alzira Espindola.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Juliana Ribeiro lança primeiro disco
sábado, 27 de junho de 2009
A importância do jornalismo acadêmico
Outro ponto importante alegado pelos ministros que votaram a favor da extinção do diploma, é que o exercício do jornalismo é mais intelectual que técnico e mesmo sem essa técnica (para esses ministros quase inexistentes) não colocaria em risco a sociedade, como um médico ou engenheiro que se não souber das técnicas mínimas para exercer suas respectivas profissões, poderiam causar sérios danos a sociedade. Isso não é verdade! Acredito que o exercício intelectual é importantíssimo para a prática de qualquer profissão, mas é ainda mais primordial no campo do jornalismo, afinal grandes escritores trabalharam como jornalistas e sem diploma como Machado de Assim, José de Alencar, Graciliano Ramos, Antonio Conselheiro, todavia a prática do jornalismo exige técnicas, e sem as técnicas o jornalismo poderia contaminar a sociedade com informações equívocas, deturpadas. O que será que estudantes de jornalismo fazem quatro anos na faculdade? Ficam aprendendo a serem intelectuais? Não! Aliás, deveria ser também, mas cada meio de comunicação exige uma técnica diferente, o jornalista deve entender cada linguagem, dominar o processo de comunicação para obter êxito. Essas técnicas são ensinadas na academia para que o profissional formando tenha conhecimentos dessas técnicas, para aplicá-las no exercício de sua profissão. O jornalismo não é uma arte, é uma ciência e, como toda ciência, tem seus corpos empíricos, suas teorias, seus objetos de investigações.
Não é qualquer pessoa, por mais intelectual que seja, que poderia escrever uma reportagem para um jornal, dentro dos parâmetros da linguagem jornalística, quanto ao lide, a busca e adequação da fonte, apuração precisa e contextualizada do fato. Também, por mais intelectual que alguém seja, seria difícil fazer um texto em linguagem radiofônica ou ir para uma assessoria de imprensa sem dominar as técnicas de cada canal. Portanto, acredito que a profissão de jornalista é essencial para a manutenção de uma sociedade livre e com direito de saber o que acontece no meio de forma clara, objetiva e verídica garantido a todos o direito a informação. Mas é necessário técnicas para exercer essa profissão, as técnicas se aprendem na academia. O exercício do jornalismo é uma atividade intelectual, mas exige técnica; é necessária uma congruência das duas, senão teremos o risco de termos uma sociedade a mercê das informações inverídicas e levianas. Se alguém pensa que não há danos a sociedade, um jornalismo sem parâmetros de técnicas e ética, o que poderia acontecer em um país cuja imprensa usurpa a opinião publica, onde foi e é capaz de conspirar para manutenção de regimes antidemocráticos, se é capaz de decidir a agenda do debate nacional, intrigar, comover e provocar escândalos no país, utilizar do seu” Quarto Poder” para manter uma ideologia dominante nas mãos de uma elite fracassada, então, que abolam o diploma para ver no que dar, mas eu não quero pagar pra ver, ouvir nem ler.
domingo, 21 de junho de 2009
Democracia à arte no Gamboa Nova
O Gamboa Nova se destaca pelos bons espetáculos de música, teatro, dança e exposições gerais. O preço simbólico de cinco reais (preço único) é para levar todos a conhecer o mundo mágico das artes. De quinta à domingo tem espetáculo; pela semana o espetáculo é musical, sempre às 20 horas e com o mesmo valor de cinco reais, além de contar, também, com teatro infantil que é sempre às 17 horas, mas esse sempre sábados e domingos.
Ontem fui à primeira vez ao Teatro Gamboa Nova e fiquei encantado pelo local. O espetáculo foi Quem tem medo de D. Margarida? Um monólogo com a atriz Cecília Moura. D. Margarida é uma professora no primeiro dia de aula (a classe é a platéia) do quinto ano ginasial. Com métodos autoritários, a professora é uma mulher desequilibrada que ensina que forma muito estranha biologia, história, português e matemática. Segundo D. Margarida, seu método pedagógico é uma salvação para a humanidade. O espetáculo é muito interativo e humorado e a atriz Cecília Moura é uma proeza na arte da interpretação.
O Tetro Gamboa Nova Fica na Rua Gamboa de Cima, Aflitos, próximo ao Campo Grande, atrás do Teatro Vila Velha. Para ver a programação da semana acesse: http://www.teatrogamboanova.com.br/
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Lenda do jazz: a biografia de Ella Fitzgerald
Ella Fitzgerald, uma biografia da primeira-dama do jazz, não é uma biografia para fã saber sobre toda vida pessoal de uma artista; apenas o primeiro capítulo mostra um pouco de sua infância e onde vivera, afinal Ella escondia a sete chaves seu passado e Stuart Nicholson, teve a indelicadeza de supor que ela foi abusada pelo seu padrasto na infância e que fez um aborto quando jovem a impendido de gestar, adotando uma criança mais tarde.
Ella nasceu na Virginia, EUA, em 1917. Negra e de família pobre, ficou órfã muito cedo e acabou nas ruas. Seu maior sonho era conquistar o palco pela dança, mas foi à música que lhe tirou das ruas para qualquer lugar onde seus sonhos mais ambiciosos pudesse lhe proporcionar, inclusive à Dinamarca, onde morou por um ano.
Por ser negra e moradora de rua, teve dificuldades em participar de programas de calouros, sendo até impedida de receber um prêmio de primeiro lugar em uma boate, pois a considerava feia [sic]. Logo ingressou na banda de Chick Webb, mesmo Webb resistindo que Ella entrasse na banda devido a sua aparência não convencional, mas ela levou a banda ao estrelato em 1938, dois anos depois de ter ingressado, nos tempos do jazz swing, quando jazz era música para dançar e para as massas e Webb, que sonhava com o estrelato viu em Ella o caminho de sua gloria por poucos meses, pois morrera em 1939.
Com Dizzy Gillespie, pai do jazz be bop, excursionou com sua banda na nova vertente do jazz, que agora das boates das periferias ia para grandes clubes, salas de concertos e prestigiadas casas noturnas dos EUA. Ella transitou do swing para o be bop com êxito e já nos anos 50 era uma cantora mundialmente conhecida; cantava para platéias do EUA, Europa e Japão e era aclamada pelo público e pelos críticos que a consagrou como a maior cantora de jazz da história, recebendo o título de primeira-dama do jazz.
A biografia da Srta. Fitzgerald é uma deliciosa leitura que o leitor arguto não só aprende sobre a vida profissional da diva, mas os contextos culturais, econômicos e sociais de uma época do século XX. Por exemplo, Stuart Nicholson mostra o racismo nos EUA contra os negros, inclusive alguns sofridos por Ella; uma vez no trem indo fazer um show em outra cidade onde foi quase retirada da ala reservada aos brancos, pois não tinha espaço na ala dos negros; outro foi num vôo para Austrália quando Ella e sua banda foram retirados para darem seus lugares a brancos e a turnê foi cancelada.
Norman Granz foi um homem de visão; um magnata do jazz que empresariava muitos artistas daquela época, inclusive Duke Ellington. Quando viu que não havia como investir em Billi Holiday, pois esta estava recruza por vicio em drogas, foi em Ella Fitzgerald que ele viu uma mulher para mostrar ao mundo e ganhar dinheiro, através de uma série de songbooks da cantora, já popular nos EUA, que a fez pisar nos mais importantes palcos do mundo. Norman também teve mérito ao exigir, nos contratos para apresentação de Ella, que não houvesse segregação racial em espaços reservados a negros e brancos, e lutou por essa bandeira do anti-racismo no EUA.
De fato, Stuart mostra que Granz via em Ella uma mina de ouro, e foi isso que aconteceu. Ella era um poço fundo de magnitude artística e tesouro raro. Os dois ficaram multimilionários. O que também é fato é que Ella nunca teve autonomia para escolher suas musicas, gravara o que Granz queria, mas sua gana em ser sempre aplaudida pelo publico, deixava Ella apenas com sede de ovação e nunca se importou com o que gravou; muitos a acusaram de ter sido uma cantora comercial.
A biografia de Ella Fitzgerald é um bom livro para quem quer entender sobre jazz, inclusive sobre sua historia; é uma biografia musical e não pessoal da cantora, mostrando sua trajetória no jazz dentro da trajetória do próprio jazz.
Sobre a relação de Ella com a bossa nova Stuart não fez questão de aprofundar, dedicou apenas um parágrafo curto sobre o The Antonio Carlos Jobim Songbook (Ella abraça Jobim). Há também uma citação que informa que, afastada por problemas de saúde, Ella estudou português para aprimorar seu conhecimento com a música brasileira.
Foram mais de meio século de carreira e mesmo com sua saúde extremamente fragilizada, em decorrência da diabetes e pela idade avançada, Ella seguiu com turnês em viagens exaustivas, embora desaconselhada pelo seu médico. Para os amigos mais íntimos, e poucos conheceram sua intimidade, pois era obtusa, ela era uma mulher alegre e parecia sempre uma garotinha com sua perfeição musical que tinha sede de subir ao palco e ver o público a aplaudindo.
Nos anos 90, era já era considerada uma lenda viva e não faltou homenagens, menções honrosas, prêmios e prédio de universidade com seu nome, pesquisadores musicais que estudaram sua carreira, filmes, documentários e prêmios e mais prêmios de uma das mais aclamadas cantoras da história. Sua casa não cabia mais tantos prêmios. Ella foi uma das poucas pessoas a gozar da glória por tanto tempo.
O livro acaba sem mais nem menos; quando se vira a pagina, acabou. Parece ter escrito pouco antes de sua morte, pois não fala do assunto, mas se foi escrito quando Ella ainda em vida, é estranho que não se tenha nenhum depoimento da cantora.
As primeiras páginas do primeiro capítulo e as últimas dos ultimo capítulo são praticamente iguais, com o biografo fazendo uma exaltação poética da cantora, mas Stuart apenas cai na contradição quando no primeiro capítulo afirma sobre Ella: “o timbre perpetuamente jovem de sua voz falava de otimismo, de emoções descomplicadas, acima de tudo cantava num ritmo compulsivo e instigante”, mas nos últimos capítulos Stuart se refere da mesma voz:” a voz de Ella agora estava ficando mais sombria sem a suavidade natural do passado” e ainda num concerto em Montreux em 1975 Stuart diz:” revelou mais uma vez o declínio da voz de Ella, fica claro que sua voz já não era o instrumento aerodinâmico que havia sido antes, tem um vibrato quase apavorante”, mas contradições à parte, a biografia da Srta. Fitzgerald é uma leitura agradável e instigante, como Ella sempre fora, para os amásios das histórias mais fascinantes da música universal.
Ella Fitzgerald, uma biografia da primeira-dama do jazz, foi lançada no Brasil pela José Olympio Editora.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
A leitura para frustrados e fracassados
A fragilidade no sistema educacional atrelada a uma sociedade de consumo excessivo, onde a tecnologia de informação invade o cotidiano das pessoas, demonstra o baixo índice de leitura dos brasileiros e mesmo o que lêem, geralmente, está simplesmente consumindo o que o mercado impõe, o beste seler, o que todo mundo está lendo e que logo virará um longa-metragemNessa perspectiva, o mercado editorial encontrou uma formula mágica para minimizar suas perdas financeiras dos últimos anos. Devido à vida agitada de uma sociedade complexa, que as pessoas estão cada vez mais individualistas, os livros de auto-ajuda surgem como milagre, onde criaturas frustradas e infelizes vêem na forma fácil, simples e barata o método mais rápido para superar seus fracassos pessoais e profissionais.
Sob a égide do corporativismo capitalista, esse mercado vem fazendo da “literatura” apenas um produto comercial, onde a “arte” é simplesmente trocada pelos lucros, onde as produções intelectuais estão a favor de grandes empresas que vêem nesse caminho um paraíso de dinheiro.
Os livros de auto-ajuda é um método tão simples quanto ineficaz de procurar soluções instantâneas para problemas às vezes inexistentes, ou para tentar resolver problemas complexos que requer ajuda de um profissional e individual; esses livros por vezes, parecem ter a pretensão de diagnosticar, tratar e curar os problemas alheios, numa espécie de auto-consulta, auto-diagnóstico e auto-tratamento.
Nos últimos anos o aumento desse gênero cresceu de forma acelerada revelando a falta de rumo e sentido que as pessoas têm em dar em suas insípidas vidas.
A vida corrida, onde tudo tem que ser rápido e prático, que tempo é dinheiro, as pessoas vão a busca imediata para sua vida cada vez mais em colapso e caos. O mundo pós-moderno de pura ilusão e mentiras, de valores deturpados onde a vida pelo consumo exacerbado e imediatismo prepondera, que o entretenimento é mais valorizado que o conhecimento, é natural que existam pessoas cada vez mais ávidas para solucionar seus problemas deixando de lado problemas sociais em busca de soluções emergentes individuais.
Os livros desse gênero são considerados de literatura fútil onde os autores cada vez mais ganham dinheiro escrevendo como se as pessoas e seus problemas fossem todos iguais, com se o mundo fosse a fábrica da Mattel que vivessem bonecos em series, onde todos fossem iguais e eles fabricam o manual de instrução para quando esse derem um piff e reativado ao seu pleno estado normal. Normal?
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Carmen Costa e a mulher contemporânea

domingo, 31 de maio de 2009
A reportagem tratada como ciência
Morte, como sabemos, se classifica como um critério de noticiabilidade, que cada vez mais os veículos de comunicação utilizam para fazer seus jornais-espetáculos. Todos os dias lemos nos jornais, ouvimos no rádio ou assistimos na televisão a morte do outro; o outro é o que está longe de nós, o que, forjadamente, a imprensa-burra incuti que a morte do outro não tem importância, ou melhor, ela foi melhor para a sociedade. São mortes de jovens, negros, pobres que aparecem na mídia todos os dias. “Bandido”, “assaltante”, “traficante”, “criminoso”, “pernicioso” são alguns nomes que a grande imprensa classifica esse individuo, sempre num tom de desdém, de alivio, de indiferença, mostrando o quanto a imprensa brasileira se comporta, além usurpar a opinião pública, usurpa o juiz da justiça, já sentenciando os suspeitos e indiciados. Apenas é mostrado seu nome, sua idade, sua cara e circunstância da morte. A cada dia mais um, outro dia, mais um. São jovens assassinados, apenas isso. Pouco se mostra a história dessas pessoas, suas origens, seu ambiente, seu contexto, sua educação, seus acessos aos bens mínimos que garantam ao homem o direito a cidadania, a participação social e política; o discernimento das coisas, seu ambiente cultural; nada se mostra das frustrações desses homens, das angustias vividas, das suas negações e privações. Não há espaço no jornal, não há interesse no jornal; é apenas mais um.
Caco Barcellos mostrou-se de um lado em Rota 66: o lado dos mais fracos; mostrou a versão e os fatos, mostrou a verdade. O que Caco provou é que a imprensa deixou de valer-se de fatos em detrimento de versões. A morte de um jovem a tiros em uma periferia de uma metrópole é um fato e os fatos noticiáveis devem responder as seis perguntas básicas do lead do texto jornalístico, mas quando as perguntas são respondidas oficialmente pelo Estado, que manda matar os negros nas favelas, são no mínimo esdrúxulas, que chego apenas a uma conclusão: a impressa-burra-burguesa é conivente com a ideologia mecanicista do Estado: indivíduos perniciosos a sociedade deve ser definitivamente excluídos da sociedade, pois não há recuperação; mas, pergunto eu, quem são esses indivíduos perniciosos? Os negros? Sim! É só observar a etnia dos assassinados a tiro nos jornais. È a ideologia racista que parte da premissa que o negro e naturalmente ruim, faz parte de sua essência ser ruim, é a sua natureza ser perverso, cruel, não há nenhum método que o recupere, nenhum processo de resocialização vai recuperá-lo, então o que fazemos? Matamo-los! Essa é o projeto do Estado em parceria com a imprensa: um genocídio nas periferias deste país.
Além de mostrar a história de gente morta a servido da ideologia racista, que degrada qualquer sociedade, Caco mostra de forma minuciosa como realizou a pesquisa durante mais de duas décadas, as dificuldades, as cuidado a paciência, a busca pelos familiares dos mortos, por sobreviventes, um verdadeiro manual para uma reportagem profunda e coerente com fatos.
Caco revela em Rota 66 que o jornalismo levado a serio deve ser profundo, radical e real. Em vez de esquecer o de hoje para noticiar o de amanhã: o preto, pobre assassinado, Caco quis ir além, quis saber toda a história, de todos os ângulos para mostrar que a mentira vendida como verdade na grande imprensa é o veneno do jornalismo descente. Mérito a caco Barcellos por fazer dos excluídos objeto de interesse no jornalismo serio que falta no maior parte da imprensa da elite racista brasileira.
domingo, 17 de maio de 2009
Estrela viva

sexta-feira, 1 de maio de 2009
Língua portuguesa: unificação da ortografia une laços entre povos e culturas
O acordo ortográfico gerou e ainda gera muitas discussões sobre seus impactos na sociedade. Primeiro é necessário elucidar alguns pontos comuns e equivocados sobre o acordo difundido pela mídia: o acordo não unifica a língua portuguesa, apenas unifica a forma de grafar as palavras, afinal nenhum decreto poderá unificar ou reformar uma língua, pois a língua é livre, nunca permanece presa, é imutável em relação ao tempo e as diferentes regiões, com ou sem acordos. Segundo, não existe reforma na língua; são apenas ajustes na forma escrita, modificando menos de 1% das palavras. Ademais, o debate sobre o acordo se fecha apenas no círculo acadêmico onde apenas escritores, linguistas, filólogos e pesquisadores têm espaço para emitir opinião; a língua é universal e deve também levar em conta a importância e impactos para todos os falantes e não apenas aos mais “letrados”. Não podemos mais admitir que o discurso conservador de gramáticos normativos, perenize uma ideologia linguística, que despreza e estigmatiza a diversidade da língua, onde a própria língua portuguesa sempre esteve refém, principalmente no que tange ao ensino/aprendizagem. O acordo unifica a língua escrita e não a falada, por isso a importância à pluralidade dos discursos, respeitando as variedades naturais da própria língua.
A língua portuguesa é complexa, com rígidas normas gramaticais, o que dificulta seu aprendizado, mesmo aos nativos onde a língua é oficial. Sua dupla ortografia dificulta também a difusão no âmbito internacional. A língua inglesa, embora falada em muitos países, possui poucas diferenças na ortografia; a língua árabe, falada em mais de vinte países, possui uma ortografia única. Assim, é necessário unificar a ortografia da língua portuguesa para que a língua alcance maior espaço, procurando mecanismos de acesso, simplificando-a graficamente, possibilitando o conhecimento do seu povo, sua origem e suas diversas representações. A unificação de sua ortografia não une apenas sua língua escrita, une também os laços entre povos e culturas; une comunidades para fortalecimento e difusão de apenas uma: a comunidade internacional da língua portuguesa.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
"Nada é estático". Heráclito de Éfeso é considerado o mais obscuro dos pré-socráticos
Outra característica do pensamento de Heráclito de Efêso é que tudo está em movimento. Nada é estático. O principio fundamental do universo é o devir, que são contínuas transformações. As coisas estariam em perene mudança, sempre em movimento. É atribuído ao filósofo o fragmento “Ninguém entra duas vezes no mesmo rio”, pois as águas do rio nunca serão as mesmas, sempre estão em movimento, transformação e renovação, o rio é e não é o mesmo, percorre seu caminho e outras águas virão e novamente irão e o ser que entra no rio também se modifica biológica e intelectualmente, as pessoas estão em mudança, também não são estáticas, transformam-se.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Mariana Aydar Lança 2° cd de inéditas

domingo, 22 de março de 2009
Minúsculo e inútil tratado sobre a virtude: O reflexo e a reflexão
Não se trata apenas de mais uma crise existencialista, mas de uma investigação a cerca dos verdadeiros valores ao qual o homem tem dificuldade para o caminho da felicidade. Não é bom saber e aceitar que certos valores da sociedade contemporânea, valores estes deturpados, condicionam os entes a seguirem tais valores que tem por alicerce a irreflexão, a ideologia e os pré-conceitos fixados pela cultura, que de alguma forma torna-se comum, portanto natural.
Quando cada ente, a partir da disposição, e outros olhares sobre seus valores sociais e pessoais, que ora podem ser idênticos e/ou equivocados, ascende-se a luz da reflexão A reflexão é quando o ente desenvolve o poder do olhar observador, para o devido afastamento do objeto e fará de forma sempre lúcida um pensar interrogatório sob tudo que o cerca. Este interrogatório é feito a si mesmo.


